Bertioga surge na História do Brasil com a importância de um dos primeiros pontos geográficos com povoamento regular. Estes locais eram destinados à defesa do povoamento e foram palco de grandes batalhas entre a civilização, representada pelos portugueses de Martim Afonso de Sousa, e a barbárie, representada pelos tamoios de Aimberê, Caoaquira, Pindobuçu e Cunhambebe, em constantes incursões contra os colonizadores.

Seu povoamento teve início no ano de 1531, quando Martim Afonso de Sousa, nomeado Governador Geral da Costa do Brasil, aportou às águas da antiga Buriquioca. Com a intervenção de João Ramalho, Martim Afonso deixou em terra alguns homens para realizar ali uma primeira feitoria da nova fase, ou um pequeno fortim, partindo em seguida rumo ao sul, dirigindo-se para o outro lado da ilha, para fundar oficialmente a Vila de São Vicente.

Surge, nesta época, Diogo de Braga, personagem de origem desconhecida e que parecia viver entre os índios e agregados. Era casado com uma índia e já estava em Bertioga anos antes da chegada de Martim Afonso, falando corretamente a língua dos tupis. A ele, e seus cinco filhos e mais companheiros deixados pelo governador e donatário, se devem as tentativas de formação da primeira colônia e a construção de uma pequena estacada, que deu origem ao atual Forte São João.

Esta área constituiu-se importante ponto estratégico na defesa e vigia do caminho natural de tamoios e franceses. Hans Staden fez relatos bem vivos dos frequentes assaltos. Daí a necessidade de ser fortificado o local, o que foi feito em ambos os lados da Barra: Fortaleza de São Tiago de Bertioga, ou São João, no trecho continental, e forte de São Luís, ou São Felipe, na fronteira ilha de Santo Amaro.

Essa fortificação só se efetivou em 1547, após ataques dos índios tupinambás, que incendiaram a primeira paliçada existente. Testemunha de inúmeros acontecimentos decisivos para a História do Brasil, o Forte São João tornou-se um símbolo para Bertioga e um marco para a história do país. Foi nele que, em 1563, os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta se hospedaram, por cinco dias, antes de irem para Ubatuba apaziguar os índios revoltados na Confederação dos Tamoios. Foi também de Bertioga que Estácio de Sá e sua esquadra partiram, em 1565, para dar combate aos franceses e fundar a cidade do Rio de Janeiro. O sítio primitivo de Bertioga era uma pequena linha de praia protegida pelo outeiro de Buriquioca, hoje Morro da Senhorinha. O antigo núcleo estendeu-se também pelo outro lado da barra, onde, em meados do século XVI, fora fundada a capela de Santo Antônio de Guaíbe.

Nos primórdios do século XVIII, com o uso do azeite de baleia para iluminação pública e particular, Bertioga passou a ter grande importância, graças à criação da Armação das Baleias, para a pesca da baleia, e onde foram construídos grandes tanques para depósito de óleo desses animais. Assim, durante certo tempo, o azeite de Bertioga contribuiu para a iluminação de Santos, São Vicente, São Paulo, São Sebastião e, em parte, também do Rio de Janeiro. Durante muito tempo Bertioga conservou-se como um núcleo de pescadores, com cerca de duas dúzias de casas defronte do porto da barca e três pequenas casas de comércio.

Somente na década de 40, o pequeno núcleo de pescadores começou a despertar para sua grande função: a de Estância Balneária. Com a melhoria das vias de acesso, com a construção de estradas e cobertura de asfalto da estrada que corta o Guarujá em direção ao ferry-boat, e que faz a travessia que liga à Ilha de Santo Amaro à Bertioga, iniciou-se uma grande expansão urbana da vila.

Nesta época, em 1944, Bertioga (e toda extensão territorial norte) foi transformada oficialmente em distrito de Santos. Após dois movimentos pró-emancipação, um em 1958 e outro em 1979, Bertioga finalmente conquistou sua autonomia no dia 19 de maio de 1991.

A População compareceu às urnas, realizando o plebiscito que resultaria na emancipação do distrito. Das 3.925 pessoas que votaram 3.698 foram favoráveis à independência de Bertioga. No ano seguinte, foram realizadas as primeiras eleições da cidade, consolidando sua autonomia e elegendo seu primeiro prefeito.

Principais fatos históricos

2000 a.C.: Tribos primitivas vivem na região e deixam como testemunho de sua existência os sambaquis, que são antigos depósitos situados na costa, em lagoas ou rios do litoral e formados de montes de conchas, restos de cozinha e de esqueletos, amontoados por tribos selvagens que habitaram o litoral.
1531: Martim Afonso de Souza recolhe as velas de suas naus nas águas de Buriquioca, região habitada por Tupis.
1532: Martim Afonso de Souza funda a primeira vila do Brasil: São Vicente.
1532: É construída uma paliçada (espécie de trincheira) que dá origem ao Forte São João.
1537: Os Tupinambás atacam a pequena vila, resultando na morte de cerca de 200 homens nas imediações da fortificação. Entre os remanescentes estavam os irmãos Braga, filhos de Diogo Braga.
12 de janeiro de 1545: Bertioga é doada a Jorge Pires.
1547: O Forte São Tiago (hoje São João) é construído, em alvenaria.
1547: Hans Staden, um artilheiro alemão, chega ao Brasil e é nomeado condestável do Forte de São Filipe que, juntamente com o Forte São João de Bertioga, era responsável pela defesa da Vila de São Vicente. Capturado pelos Tupinambás, permaneceu prisioneiro entre eles por cerca de nove meses.
1551: Surgiu outra fortaleza, erguida ao lado oposto do Forte São Tiago, denominada São Filipe. Esses fortes tinham grande importância para a sobrevivência da Colônia Portuguesa no Brasil, pois eram dotados de um sistema de defesa estratégico.
1563: Chega à Capitania a notícia de que estaria sendo formada a Confederação de Tamoios.
14 de setembro de 1563: É firmado o Tratado de Paz de Iperoig.
Março de 1564: Mem de Sá chega a Santos e São Vicente para aliciar reforços destinados à fundação da cidade do Rio de Janeiro.
27 de janeiro de 1565: Mem de Sá e os expedicionários de Santos, São Vicente e São Paulo partem de Bertioga, após missa campal junto ao Forte São Tiago, celebrada pelo padre Manoel da Nóbrega, e fundam a futura capital do Brasil: a cidade do Rio de Janeiro.
Entre os anos de 1600 e 1700: foi criada em Bertioga a Armação das Baleias, motivada pelo advento da iluminação pública e particular do óleo de baleia no Brasil.
1764: Acontece a reforma total da fortaleza e da capela anexa à estrutura. Em louvor a São João Batista, o Forte passou à denominação de São João e contava com um regimento de fardamento ao estilo europeu, que serviu à fortificação, impedindo a passagem de invasores pelo Canal de Bertioga.
1910: A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que administra o Porto de Santos, constrói a Usina Hidrelétrica de Itatinga, junto ao Rio Itatins, para fornecer energia elétrica destinada ao cais de Santos.
1940: Bertioga é apenas um núcleo de pescadores.
1944: O então governador do Estado, Adhemar de Barros, decretou a anexação de todo litoral norte a Santos.
1945: Após a Segunda Guerra Mundial, a fortificação foi abandonada.
1946: A Prefeitura de Santos elevou Bertioga à condição de subprefeitura.
1950: Com a melhoria dos acessos viários, Bertioga se torna um polo turístico.
1958: A fortificação foi reformada e restaurada pelo extinto Serviço de Patrimônio Histórico, Artístico Nacional (SPHAN).
1962: Nasce o Museu João Ramalho, hoje sob a guarda do Instituto Histórico e Geográfico de Guarujá-Bertioga, funcionando nas dependências do Forte São João.
1966: Bertioga passa a contar com os serviços de eletricidade, implantados durante a administração do então prefeito de Santos, Sílvio Fernandes Lopes
. 1969: É criado o distrito de Bertioga.
Final da década de 1970: O desenvolvimento da região intensifica-se devido à abertura das estradas Mogi-Bertioga e Rio-Santos.
1979: Inicia-se o maior empreendimento imobiliário de Bertioga, a Riviera de São Lourenço.
19 de maio de 1991: É realizado o plebiscito que confirmaria a autonomia do distrito, transformando-o em um dos mais novos municípios paulistas.
5 de outubro de 1992: É realizada a primeira eleição e Bertioga consolida sua autonomia, elegendo seu primeiro prefeito e a primeira Câmara Municipal.

Estância Balneária

Bertioga é um dos 15 municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Essa categoria garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. O município também passa a ter o direito de agregar ao seu nome o título de Estância Balneária, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.

Rios-Hidrografia

A hidrografia em Bertioga abrange os seguintes rios:

Rio Itapanhaú: tem sua nascente no município de Biritiba Mirim, desaguando no Canal de Bertioga. Drena uma área de 363 quilômetros quadrados, tendo como principais afluentes os rios Jaguareguava, da Praia e Itatinga.

Rio Bananal: afluente do Rio Itapanhaú, é estreito e selvagem, encravado na exuberante Mata Atlântica.

Rio Jaguareguava: é um rio de águas cristalinas e rasas, cujo nome tem origem tupi-guarani, que significa: onde a onça bebe água; nasce na serra e percorre cerca de cinco quilômetros de Mata Atlântica.

Rio Itaguaré: deságua diretamente no Oceano Atlântico e é formado pelo Rio Perequê Mirim, que nasce na encosta da Serra do Mar, e ainda pelos afluentes dos rios Vermelho e Cachoeirinha Grande, que têm início em Biritiba Mirim.

Rio Sertãozinho: nasce em Biritiba Mirim, desce a Serra do Mar em belas quedas até encontrar o Rio Guacá, quando suas águas formam o Rio Itapanhaú, já em Bertioga. No alto da serra, um lugar curioso, o rio é represado por uma grande rocha e pelo subterrâneo a água passa e sai, mais abaixo, em forma de jatos.

Rio Itatinga: nasce na Serra do Mar e percorre 24 quilômetros antes de desaguar no Rio Itapanhaú. E é naquele ponto, já próximo ao Itapanhaú, que a Cia. Docas do Estado de São Paulo (Codesp) tem a usina que leva o seu nome, a qual teve uma importância econômica significativa, desde 1910, quando a sua queda-d’água, de 765 metros de altura, passou a ser aproveitada pela Usina Hidroelétrica da Vila de Itatinga, que até hoje ajuda a fornecer energia elétrica ao Porto de Santos.

Rio Guaratuba: diferente dos demais rios de Bertioga, o Rio Guaratuba percorre uma orla plana, de areia clara e batida; tem sua nascente na Serra do Mar e o acesso a ele é controlado pela entrada de um condomínio. Desagua diretamente no Oceano Atlântico.

Aspectos SocioEconômicos

O Município possui população bastante jovem, embora a base de sua pirâmide etária tenha se estreitado na última década. Em 2010, mais de 50% de sua população possuía menos de 30 anos de idade.

A população de 30 até 60 anos correspondia a 41,5% da população total. Entre 2000 e 2010, percebe-se um ligeiro aumento no envelhecimento da população de Bertioga. Nesse período os habitantes com mais de 65 anos passaram de 3% para 5% sobre a população total.

Em relação à classificação da população de acordo com as categorias de cor e raça utilizadas pelo IBGE, a população residente de Bertioga acompanha parte dos municípios litorâneos paulistas, onde o percentual da população parda e negra, sobre a população total, está acima do percentual verificado para o Estado de São Paulo. Embora bastante reduzida, a presença de população indígena no território de Bertioga é também maior do que no Estado de São Paulo.

O município possui 31% dos domicílios com renda familiar de até 2 salários mínimos, 44% dos domicílios com renda entre 2 e 5 salários mínimos e 16% com renda domiciliar entre 5 e 10 salários mínimo.

Bertioga passou de 26.149 domicílios em 2000 para 44.834 domicílios em 2010, acompanhando o crescimento populacional ocorrido neste mesmo período. Uma importante característica do perfil dos domicílios de Bertioga, condizente com sua condição enquanto município turístico e de veraneio, é a existência de grande quantidade de domicílios de uso ocasional, isto é, o domicílio particular permanente que serve ocasionalmente de moradia, geralmente usado para descanso nos fins de semana, férias, entre outras finalidades. De acordo com dados do Censo 2010, 62,18% dos domicílios particulares permanentes de Bertioga são de uso ocasional.

A existência de grande quantidade desse tipo de imóveis possui relação direta com a significativa população flutuante. Essa população ocupa o município, no verão, durante a temporada de férias.

Entre 2000 e 2010, o crescimento dos domicílios de uso ocasional em Bertioga ocorreu num ritmo muito maior que o crescimento dos domicílios ocupados, contrariando a tendência da maior parte dos municípios do litoral paulista, que tiveram um crescimento mais intenso dos domicílios ocupados indicando fixação crescente de moradores.

Em Bertioga, como nos demais municípios do litoral paulista, o turismo balneário é um segmento dos mais significativos da economia local e regional, contribuindo efetivamente para a dinâmica do setor terciário.

Contudo, o predomínio das segundas residências, em detrimento da modalidade turística baseada em meios de hospedagem, provoca graves desequilíbrios nos espaços urbanos e traz enormes desafios.

A implantação de infraestruturas urbanas dimensionadas para atender os picos das temporadas de veraneio é um desses desafios, pois ficam ociosas durante a maior parte do ano. Os sistemas de saneamento básico, de fornecimento de energia elétrica, de transportes e trânsito, entre outros serviços, são dimensionados de forma a atender população muito superior à residente.

É possível estimar o tamanho da população flutuante em Bertioga e nos demais municípios litorâneos a partir de dados sobre o consumo de água e de energia elétrica ou da quantidade de lixo gerado e coletado.

Bertioga está inserida no cenário futuro do litoral paulista, que provavelmente continuará sendo impactado pelo crescimento das suas cidades, pelo afluxo de turistas e por empreendimentos com impacto econômico, como a ampliação de rodovias, portos e a exploração do pré-sal, entre outros.

Informações Gerais

Com 482 quilômetros quadrados de extensão territorial (20,3% do total da Baixada Santista), Bertioga é, geograficamente, a segunda maior cidade da região. Localiza-se na linha periférica da Baixada Santista, ao longo do Oceano Atlântico e do Canal de Bertioga, fazendo divisa com os município de Santos, Mogi das Cruzes, Biritiba Mirim, Salesópolis, Guarujá e São Sebastião.

O acesso é feito pelas rodovias Rio-Santos (BR 101) e Mogi-Bertioga (SP-98) ou pelo ferry boat, que também permite a ligação com Guarujá. Faz parte da Região Metropolitana da Baixada Santista, juntamente com outras oito cidades – Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente, Santos, Cubatão e Guarujá.

O nome Bertioga é uma variação da palavra buriquioca, que no tupi-guarani significa morada dos macacos grandes. Buriqui é um tipo de macaco muito presente na região, tido como o maior das Américas.

História da Emancipação

O movimento emancipacionista bertioguense persistiu por quase 47 anos, desde a anexação ao município de Santos, em 1944, até a conquista da autonomia, precedida pela realização do plebiscito de 19 de maio de 1991.

O Decreto nº 14.334, de 30 de novembro de 1944, instituído pelo então governadores do Estado, Adhemar de Barros, anexou Bertioga e todo o litoral norte ao município de Santos.

Em 1958, Epifânio Batista, o Faninho, Aldo Ennos de Moraes e Laureano Dias, entre outros, promoveram o primeiro plebiscito, para saber se a população concordava em derrubar o decreto ou se preferia continuar ligada ao município de Santos. Foram 219 bertioguenses que votaram contra a emancipação, contra 56 que votaram a favor.

O movimento só foi retomado em 1982, pelo comerciante José Flávio Romero, o corretor de imóveis Pacheco Ferreira de Sá e Paulo Reis. Eles encabeçaram um abaixo-assinado com 100 assinaturas a favor da criação do município, que teve a consulta negada, pois na época Santos era considerada área de segurança nacional.

Em 1985, foi criado o Movimento Pró-Emancipação de Autonomia de Bertioga, presidido por Licurgo Mazzoni, além de Jerônimo Lobato, Antônio Duarte e Antônio Gentílio Purita (vice-presidente), Pérsio Dias Pinto (1º tesoureiro), Abelardo de Araújo Barros (2º tesoureiro), Eunice Olsen Lobado (1ª seretária), Irene Vaz Pinto Lyra (2ª secretária) e um conselho deliberativo composto por José Nunes Viveiros, Carlos Sérgio dos Santos, Maria Izabel Rodrigues da Silva, entre outros. A Comissão era coordenada por Rubens Puccetti.

Apesar de todas as dificuldades, o plebiscito foi marcado para o dia 05 de novembro de 1990, mas foi suspenso graças a uma liminar. Outros movimentos foram realizados até que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou uma nova data para a realização do plebiscito -19 de maio de 1991.

Em 03 de outubro de 1992, a população de Bertioga foi às urnas escolher o primeiro prefeito e os vereadores que iriam compor a primeira Câmara Municipal do futuro município, que teve a apuração realizada no Ginásio de Esportes do Sesc Bertioga.

A emancipação político-administrativa de Bertioga foi consolidada, efetivamente, a partir de janeiro de 1993, com a definição de seu primeiro prefeito, José Mauro Dedemo Orlandini, e de sua primeira Câmara de Vereadores, quando foram eleitos os seguintes vereadores: Lairton Gomes Goulart, Sérgio Pastori, Francisco Soto Barreiro Filho, Miguel Seiad Bichir Neto, Antônio de Jesus Henriques, Ney Mora Nehme, Nelson Turri, José Carlos Buzinaro e Antônio Rodrigues Filho.

Riviera

A Riviera é um bairro de Bertioga instalado por um empreendimento particular arrojado, organizado em três zonas: turística, residencial e mista. A implantação começou em 1979, com a abertura das primeiras ruas, a instalação da fábrica de guias e tubos de concreto, os trabalhos de abertura dos canais, a instalação do viveiro de mudas e os estudos para captação de água.

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